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As influências das autonominas

Há quase dois meses, o Autonomia estreou com a proposta de falar sobre o cenário independente num todo.

O site é conduzido por mulheres completamente apaixonadas por música, e é por isso que todas nós decidimos falar sobre ela em nossas vidas, além de preparar uma playlist com canções marcantes e que nos influenciaram desde sempre.


 

Mariana Ribeiro

“Eu tenho a sorte de ter crescido em uma família extremamente musical. Cresci ouvindo de tudo, de tudo mesmo – de Beatles a Cássia Eller – e isso me formou um gosto musical um tanto abrangente. Música representa boa parte de mim e já ajudou a me salvar uma vez em um período muito difícil. Não sei como teria passado por isso sem grande parte das coisas que eu ouvi (inclusive “You Can’t Always Get What You Want”, dos Rolling Stones que está na playlist).

Tudo o que eu ouço é significativo pra mim, me marca, às vezes me transforma, principalmente Jeff Buckley, ele tem um peso muito importante pra mim. E essa playlist é tudo o que me move desde sempre, incluindo ele.

Tenho poucas certezas na vida e uma delas é que com música que eu quero continuar mexendo.

Costumo falar pras pessoas sempre acreditarem no poder da música, porque existe e é gigante. Eu sei bem.”

Ana Beatriz

“A primeira lembrança que tenho da música influenciando minha vida é de quando eu era criança e não podia ver desenho porque minha irmã tava ouvindo Hanson sem parar. Eu ouvia e acompanhava com ela, mas nunca achei que ia ser fã daquele jeito.

Alguns anos depois, do dia pra noite, conheci Cazuza e me apaixonei perdidamente por ele. foi ao som de “O Nosso Amor A Gente Inventa”, sofrendo por uma dor de amor que eu jamais havia sentido, que eu descobri o poder da música sobre mim. Muito antes do Spotify existir, eu juntava o dinheiro do lanche da escola pra comprar os CD’s dele, depois passava dias deitada no quarto ouvindo e decorando cada nota daquelas músicas.

Depois da fase Rock Brasil anos 80, já na adolescência, eu descobri Arctic Monkeys, e foi a partir daí que minha vida mudou. O show deles no primeiro Lollapalooza moldou tudo dali em diante. Por causa deles eu conheci 90% dos amigos que tenho e amo até hoje, e foi nessa viagem que nasceu meu amor por São Paulo. Três anos depois eu tava me mudando pra cá, onde eu continuo morando.

Pra mim não existe nada mais lindo do que a música. Ela guiou minha vida e me tornou a pessoa que sou hoje, com todas as minhas histórias e experiências. É por isso que quero estar pra sempre envolvida com isso de alguma maneira, essa é uma das poucas certezas que eu tenho.”

Isabelle Vímara

“Ouvir música sempre foi um ritual familiar. Todo fim de semana nós passeávamos de carro pela cidade, enquanto desfrutávamos de nossos artistas preferidos, nosso case era eclético como a família e ouvíamos Sade, Marisa Monte, Enya, Jesus and Mary Chain, Depeche Mode e até mesmo Baden Powell sem nos importarmos com a coesão. Nos tempos difíceis esses rituais também se tornaram uma maneira de me comunicar com o outro, atribuía à música uma função da melhor amiga que eu não tinha – nela eu podia encontrar minhas anedotas cotidianas e confidenciar os dramas juvenis.

A música estava lá quando meu pai não estava, também estava no primeiro beijo e no coração partido que veio a seguir, na insegurança de cada dia, e eu já falei dos corações partidos? Sim, preciso frisar quantas mixtapes nunca foram ouvidas, outras ouvidas e esquecidas. Azar do ouvinte!

Perdi as contas de quantas vezes me joguei na pista da Casa da Matriz pensando que aquela era a melhor música do mundo. Não era, era a terceira vez que tocava “Somebody Told Me”, depois de dois mojitos ou mais não importava mais. A música é uma experiência sinestésica e a oportunidade de compartilhar meu mundo interior é tão assustadora quanto gratificante.”

Natália Mansur

“Fazer o exercício de pensar em tudo que me influenciou/influencia musicalmente foi muito mais difícil do que eu imaginava que seria. Inclusive, eu acho até agora que tem coisa faltando nessa lista. Dividi tudo em três partes: o que veio de casa, o que veio na adolescência e o que eu escuto hoje.

O que veio de casa foram os presentes dos meus pais: as idas pra casa na Bahia, a vitrola do meu pai e minha mãe cantando.

O que veio na adolescência foi apresentado (principalmente) por The O.C., Gossip Girl e pela ex-MTV Brasil. Destaque especial para “23” do Jimmy Eat World e “Homecoming” do Hey Monday – as únicas músicas que eu aprendi a tocar no violão (e muito mal).

O que eu escuto hoje é basicamente o reflexo disso e de todas as coisas que me movem agora.

NUM GERAL: eu choro por amor, sinto saudades da Pista 3 e finjo que não era fã de Los Hermanos porque, arbitrariamente, não incluí na playlist.”

Beatriz Brito

“A música sempre foi uma constante na minha vida. Cresci em uma família um tanto musical: minha mãe arriscava no teclado, meu tio ostenta ainda hoje uma coleção invejável de LPs do Queen e do Iron Maiden, e minha avó era fanática por Robbie Williams.

É impossível colocar em palavras a importância da música nos meus dias, desde que eu era pequena e magricela aos 9 anos e ouvia o Acústico MTV dos Titãs sozinha. De curiosidade de criança, se tornou companhia constante na adolescência e uma possibilidade de vida enquanto adulta. As coisas passaram a fazer mais sentido quando eu coloquei a música como prioridade.

Por uma vida inteira de fones de ouvido plugados, estante abarrotada de CDs, playlists, mixtapes, e sentir a música bem nos meus ossos ao ouvir uma guitarra ao vivo. É pra isso que eu estou aqui hoje.”

Liz Oliveira

“Antes mesmo de me interessar por música e descobrir o que eu gostava, já escutava diariamente enquanto minha mãe fazia faxina ou enquanto meu pai me dava carona pra escola. Não consigo me recordar de um dia da minha vida em que eu não tenha escutado música, graças a ela conheci grande parte dos meus amigos e quando tudo perde a graça a única coisa que me sobra é ouvir música.

Eu me lembro que minha primeira banda favorita foi Green Day, queria me vestir que nem o Billie Joe. Minha primeira música favorita foi “Heart of Glass” do Blondie, que eu ouvi na rádio e me obriguei a cantar todos os dias durante meses até que conseguisse descobrir o nome da música, na época ainda não existiam os aplicativos de busca. O primeiro álbum que eu amei de verdade foi o Pet Sounds do Beach Boys, descobrir como ele foi produzido fez com que eu quisesse saber quem estava por trás dos discos, como eles eram feitos desde o princípio e prestasse mais atenção no que diziam as letras.”

Krishna Montezuma

“Eu acho que a minha ligação com a música, principalmente no âmbito da composição, começou quando entrei nas aulas de violão. Eu tinha uns 8 anos, meu professor era um daqueles caras “true rock” e, por consequência, até hoje sei tocar todas as músicas do Legião Urbana (não que eu me orgulhe disso). Logo em seguida, comecei a procurar artistas por conta própria e me descobri muito na Mallu Magalhães. Comecei a escrever umas coisas na linha dela, isso já nos meus 11/12 anos. Por algum motivo que só os hormônios explicam, eu pulei dessa fase direto para em que eu achava irado ter 47 camadas de delineador e ouvir The Pretty Reckless em loop. Me instalei na fase das trevas até o dia em que ouvi “What You Know”, do Two Door Cinema Club. Aquele ritmo soou tão diferente e empolgante que eu me lembro do sentimento até hoje.

De uns dois anos pra cá, eu comecei a me interessar muito mais por músicas brasileiras e, principalmente, na questão do empoderamento feminino na música. Fiquei simplesmente embasbacada com o show da Duda Brack no Teatro Rival, isso em 2016. A energia, a presença de palco, as letras – a única coisa que eu conseguia pensar é: “É pra isso que a música existe, é assim que ela deve tocar as pessoas” e desde então eu tenho uma atração muito grande por cantores mais performáticos, como a Letrux, por exemplo.

À parte disso, eu sinto que a música nasceu e cresceu em mim como um sexto sentido. Eu desenvolvi uma relação muito forte com tudo que eu escuto, e toda música que me toca me remete à uma espécie de salvação. A música me salva todos os dias de mim mesma.”