Autor: Natália Mansur

O novo trabalho da El Toro Fuerte transforma memórias em narrativas de coragem e carinho

Foto: Raquel Domingues Carinho, memória e coragem dão o tom do segundo disco dos mineiros da El Toro Fuerte, Nossos Amigos e os Lugares que Visitamos. O sucessor de Um Tempo Lindo Pra Estar Vivo já dá uma ideia do que se pode sentir a cada audição só pelo nome. A banda formada por Diego Soares (vocal, baixo e guitarra), Gabriel Martins (bateria), João Carvalho (vocal, baixo e guitarra) e, mais recentemente, Fábio de Carvalho (vocal e guitarra) construiu uma narrativa honesta e sensível, feita com o suporte de uma grande rede de amigos. Existe um toque de otimismo que permeia o som da “El Toro” e é combustível para manter as engrenagens do grupo funcionando. Afeto é ato de bravura e está presente em todas as camadas de NALV, como também é chamado. Nas letras ou melodias mais redondas, mas principalmente nos detalhes e sutilezas que nos movem, levantam e renovam as esperanças. É delicioso poder se relacionar com as palavras e sons desenhados no trabalho. Passam por inquietações muito próprias do momento em …

Gabriela Garrido convida a descobrir seus mundos no EP “Entre”

Em um trabalho muito mais encorpado e menos apressado, Gabriela Garrido aponta as delícias e confusões de uma menina de vinte e poucos anos tentando entender o que é a vida. Entre demonstra um cuidado do início até o fim – a palavra pode ser preposição, sobre estar no meio de duas ou mais coisas, ou flexão do verbo entrar, como um convite. Cada uma das cinco faixas te convida para conhecer um pouco das questões e dos universos de Gabriela, a do palco e a de fora dele. O disco vai ser lançado no dia 5 de Maio, no Rio de Janeiro, e mostra novas nuances da artista depois de Mergulho, seu primeiro trabalho. Ouvir entre uma brisa de ar fresco no fim de tarde, pensando em saudade e no que está por vir. E foi nesse clima que eu conversei com a Gabriela – bebendo uma cerveja no Centro do Rio, debaixo de uma luz linda que tá nas fotos da Luisa Queiroz aqui embaixo. Entre pode ser preposição e flexão do verbo …

O ÀTTØØXXÁ está ressignificando os sons e sinais das ruas de Salvador

Foto por Luisa Queiroz Todo mundo sabe que a Bahia é vanguarda na música brasileira. O que pouca gente imaginava era que a música do carnaval de 2018 sairia de um quarto. Cama, berço, alguns equipamentos e quatro criativos – Rafa Dias, Osmar ‘Oz’, Raoni Knalha e Wallace ‘Chiba’ – cheios de vontade de botar seus discursos próprios no mundo. É dentro desse contexto que ÀTTØØXXÁ se cria e constrói. A noção de casa – física ou não – é ponto focal na produção do grupo. O som faz referência ao que está e esteve presente no diário de cada um, sempre somando à experimentação. Salvador também é Norte para a produção sonora e visual dos quatro, trazendo à tona muito mais que a noção limitada de “sol, suor e axé”. De acordo com Rafa, cada pedaço da cidade carrega uma entidade e, pra mim, essa geografia está presente em todo o trabalho construído até agora por eles. Criado como projeto solo de Rafa Dias, ÀTTØØXXÁ conta hoje com dois discos gravados: É F*DA P*RRA …

As mulheres na Vekanandra de Luísa e os Alquimistas

Foto por Luana Tayze Lançado em parceria entre os selos PWR Records e Rizomarte, Vekanandra é o segundo registro gravado em estúdio pela potiguar Luísa e os Alquimistas. O sucessor de Cobra Coral conta com a produção de Walter Nazário (Mahmed) e marca grande amadurecimento do projeto liderado por Luísa Guedes, acompanhada dos músicos Zé Caxangá, Gabriel Souto e Pedras. O álbum funciona como um todo ao longo de suas sete faixas apresentando o início, meio e fim da história dessa personagem que dá nome ao disco. O título curioso vem do clássico meme Lohany Vekanandre Sthephany Smith Bueno de HAHAHA de Raio Laser Bala de Icekiss, e também trata de uma espécie de alter-ego da artista. Ela conta que sempre brincava com o vídeo e recebeu de alguns amigos o apelido Veka. Flertando com a palavra falada e tendo forte influência de ritmos como tecnobrega, ragga, hip hop e otras cositas más, o trabalho é resultado de uma pesquisa que vai muito além da música. A história de Vekanandra atravessa a vivência de mulheres …

‘Letrux Em Noite de Climão’ e as múltiplas faces de Letícia Novaes

Foto por Marina Novelli Letrux Em Noite de Climão é o primeiro disco de Letícia Novaes pós-término do projeto Letuce, que ficou em atividade de 2007 a 2016, reuniu uma legião de fãs e foi marcado por uma despedida calorosa no fim do ano passado em Paquetá, no Rio de Janeiro. O novo trabalho é resultado de uma campanha de financiamento coletivo e mostra outra face da cantora/compositora/atriz/escritora. Um retrato mais noturno, que se entrega pra vida e suas múltiplas possibilidades como numa pista de dança (literalmente). Referências dos anos 80 ao longo das onze faixas, o disco ainda conta com uma participação de Marina Lima em “Puro Disfarce”. O Climão vem sendo muito bem recebido pelo público e contou com casa cheia em todas as apresentações feitas até agora, passando por Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Talvez eu seja suspeita pra falar, porque esse deve ser um dos meus discos favoritos de 2017 – pelo menos até agora. Letícia é uma mulher muito potente e não te deixa nem um pouquinho desconfortável. …