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Só lembrando que a El Toro Fuerte não nasceu pra te agradar

Caso você esteja se perguntando, “El Toro Fuerte” vem, de fato, do personagem dos desenhos/filmes do Jackie Chan, lutador profissional de luta livre e dono de uma força descomunal. Essa força, não sabia ele, vinha do Talismã do Touro que a sua máscara carregava. Já da banda mineira, nós nunca ficamos sabendo de nenhum Talismã do Touro, mas que há uma força descomunal que paira em cada show feito por eles, disso não temos dúvidas.

El Toro Fuerte lançou seu primeiro disco em maio de 2016, chamado “Um Tempo Lindo para Estar Vivo“, ganhando destaque na cena independente. Depois de seu lançamento, os meninos já passaram por grande parte do país, incluindo festivais como o Bananada, onde artistas como Mano Brown, Luiza Lian e Céu também marcaram presença. A banda é formada por Diego Soares, João Carvalho, Gabriel Martins e Fábio de Carvalho Penido, que fazem muita coisa ao mesmo tempo e fica difícil dar uma função como integrante para cada um.

Atualmente a banda se prepara para o lançamento de seu segundo álbum “Nossos Amigos e Os Lugares que Visitamos”, ainda sem data definida de estreia.

Como foi o primeiro contato de vocês com a composição?

Diego: Pra mim, o primeiro contato foi escola… tocar no recreio, tentar tocar o que a gente ouvia do nosso jeito, mudando a letra, plagiando na cara dura!

João: Pra mim, compor foi uma coisa que veio misturada com aprender a tocar um instrumento. Eu nunca tive aula, nem muito aporte teórico, então aprendi a tocar tentando imitar as músicas que eu gostava de ouvir. No meio desse processo, às vezes, eu começava a brincar e inventar as minhas próprias músicas.

Gabriel: Bem, no meu caso, comecei a compor minhas primeiras linhas de bateria em família mesmo, tinha uma bateria Peace na casa de um dos meus primos e eu sempre ia pra lá ficar tocando ou fazendo barulho (risos). Colocava Queens Of The Stone Age no rádio e ficava tocando por cima, partindo daí eu fui desenvolvendo minha pegada na batera. Também toquei durante algum tempo em uma banda com meu irmão, primo e alguns amigos, que foi onde eu aprendi a compor minhas baterias.

Fábio: Meu primeiro contato com a música foi através dos meus pais. Os dois viviam da música na época, minha mãe dando aulas e meu pai se apresentando em casamentos e festas. Eles me mostravam muita coisa, mas a maioria era música erudita. O primeiro contato mais pessoal que eu tive com música popular foi através do cinema, algumas animações, essas coisas. A partir daí a composição foi assimilando na forma como eu pensava em música. Eu tinha muita vontade de fazer coisas também, mas eu tocava violino na época e eu não dava tanto valor pro instrumento. Aí eu larguei e depois de uns anos já conseguia tocar violão bem, mas mesmo sem saber tocar direito eu já arranhava algumas composições. Eu comecei a gostar das minhas músicas de verdade só lá pra 2014 mesmo, quando eu peguei o hábito de ficar a semana toda compondo, aí coisas boas começaram a surgir.

Em algum momento passou pela cabeça a possibilidade de não prosseguir com a banda? Ou não fazer música de alguma forma?

Diego: Vários… Essa é a história mais pica da El Toro (risos).

Gabriel: Houve um momento em que eu estava tocando em outra banda e a Toro estava um pouco em stand by, não falávamos em tocar, nem havia shows previstos. Nas entrelinhas, a banda tinha acabado sem que ninguém tivesse falado isso. Até que surgiu um show com Fábio de Carvalho, que, naquele momento, seria o nosso show de despedida. Mas saímos de lá com sentimento de recomeço e estamos aqui, mais firmes e fortes.

Fábio: Acho que eu entrei meio cedo nessa coisa, com 17 anos eu recebi uma oportunidade ímpar de fazer música com pessoas que eu admiro e eu nunca olhei para trás. Até porque não tem muito pra onde olhar, eu não tinha perspectiva nenhuma, aí acabei entrando nas coisas que mais me agradam, tipo cinema e música. Eu espero poder fazer minhas músicas pra sempre, independente da visibilidade e reconhecimento que eu receber. Não que eu não ligue pra essas coisas, elas são muito importantes. Mas é uma questão de ofício mesmo talvez, de praticar alguma coisa pra cultivar seu bem estar e confiança.

O álbum de estreia de vocês, “Um Tempo Lindo Pra Estar Vivo“, tem uma vibe muito otimista. Tem algum álbum para vocês que transmita que tudo vai ficar bem?

Diego: Cardinal, do Pinegrove. Nada a acrescentar.

João: Acho que hoje meu disco de “vai ficar tudo bem” é o Pink Moon, do Nick Drake. Mas varia muito de tempos em tempos (risos).

Gabriel: Tem um sim. Pra mim é o Ritual do White Lies, que foi um disco que, quando ouvi pela primeira vez, me deu uma sensação muito boa de querer fazer música e viver disso. Inclusive, uma vez eu vi uma entrevista da banda falando que eles são muito pé no chão em relação à música e que, naquele momento, eles estavam por cima, mas eles sabiam de onde eles tinham vindo e se tudo aquilo acabasse, eles já estariam satisfeitos com aquele momento.

Fábio: Acho que tem alguns discos que passam isso pra mim. Benji, do Sun Kil Moon, me deixa muito otimista e me encoraja a me aproximar das pessoas que estão na minha vida. Eu me lembro de que viver com essas pessoas é a coisa mais importante às vezes. Acho que esse é um dos discos mais importantes da minha vida também. Outro é o Poison Season, do Destroyer, me deixa otimista no mesmo sentido.

Como foram as experiências antes da El Toro Fuerte existir?

Diego: Eu basicamente fiquei anos tentando ter uma banda.

João: Antes da Toro, acho que o único projeto real de música que eu tive foi o Sentidor (que rola até hoje, em paralelo), e que sempre me rendeu experiências maravilhosas… Eu gravava muita coisa sozinho, mas a maioria delas nunca saía muito do meu quarto.

Gabriel: Eu toquei numa banda muito legal, com uns amigos que eu considero hoje irmãos, chamada The Garden. Toquei durante muito tempo com essa banda, a gente fazia grunge e eu achava muito divertido. Com o tempo eu fui percebendo que não era exatamente aquilo que estava no meu sangue, que eu gostaria de fazer. Foi nesse momento que a Toro surgiu, na época com outros nomes.

Fábio: Antes eu só trampava com minhas músicas solo. Depois que entrei pra El Toro eu comecei a ter essa experiência de dividir uma banda e sair em turnê e tudo. É uma coisa linda e eu agradeço todos os dias.

Do primeiro álbum pra cá, o que mudou pra vocês? A forma de enxergar música continua a mesma?

Diego: Pra mim mudou muito. Eu costumava achar que música era uma ferramenta monstruosa, que servia pra juntar gente que quer fazer a mesma coisa. Hoje eu sinto que ela é um propulsor que não deixa a gente parar. Ela redefiniu até mesmo o que eu queria, fez meus sonhos virarem objetivos e se tornou um motivo excelente pra eu continuar vivo.

João: Pra mim também…Eu acho que continua mudando, na verdade. A Toro tem crescido muito, e eu tenho tido a oportunidade de viver um monte de situações inéditas por conta disso. Tem aberto caminhos, acho que dá pra resumir assim. Meu crescimento como pessoa sempre passa por descobertas que vieram por meio da música.

Gabriel: Muita coisa mudou. Na verdade, eu sempre imaginei a minha banda saindo nesses blogs e todos esses espaços em que temos aparecido, mas quando isso começou a acontecer de verdade, eu fiquei meio assustado, positivamente, claro. Eu gostando muito de como as coisas estão andando pra banda. Nós temos muito trabalho pela frente, mas termos chegado até aqui, já é uma vitória.

Fábio: A forma de pensar as músicas sempre mudando, independente de lançar discos e tal. Cada dia eu quero fazer uma coisa e acaba que são formas diferentes de se pensar a música, principalmente no sentido da estrutura e letras.

O que vocês fazem enquanto não estão promovendo o rock triste?

Diego: Eu tenho um emprego formal na prefeitura e, quando não promovendo o rock triste, eu vendo gente que não gosta de promovê-lo (risos).

João: Quando não estou pregando a palavra misteriosa do rock triste, eu tento terminar a minha graduação em Jornalismo, trabalho como produtor musical, estudo filosofia obscura e como pizza (risos).

Gabriel: Eu sou um cara muito pacato: geralmente eu em casa, assistindo a alguma série ou desenho, ou trabalhando no meu outro emprego – o que atualmente paga nossas contas -, por enquanto.

Fábio: Eu estudo Cinema e Audiovisual na PUC Minas e gravo baterias para discos de outras bandas. Esse ano já gravei quatro, se não me engano.

E pensando no futuro, existe uma meta pra ser convidado pro Lollapalooza (risos)?

Diego: TEM SIM! Ainda vamos chegar lá… Acho que dá pra construir, acho mesmo.

João: Eu quero!

Gabriel: Com certeza. Queremos dominar o mundo, se possível. Tio Perry, estamos aqui, pode chamar!

Fábio: Existe com certeza!

Você pode conferir mais sobre o trabalho da banda aqui: