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A gente acha que todo mundo deveria ver um show da Mahmed na vida

Foto por Yasmin Kalaf Lopes.

Mahmed, desde o seu EP de estreia “Domínio das Águas e dos Céus“, em 2013, vem chamando a atenção não apenas dentro do cenário independente, mas no cenário musical como um todo. Composta por Walter Nazário (guitarra), Dimetrius Ferreira (guitarra), Leandro Menezes (baixo) e Ian Medeiros (bateria), a banda instrumental, sempre muito bem elogiada por suas apresentações ao vivo (acredite quando eu digo isso, porque basicamente todo mundo ao meu redor é apaixonado pelos shows deles), já tocou em festivais desde Coquetel Molotov em Recife, até o aclamado Primavera Sound na Espanha.

Atualmente, a banda encontra-se gravando seu segundo álbum, com previsão para o início de 2018 pela Balaclava Records. É ou não é para começar o ano bem?

Pensando nisso, o Autonomia conversou com Walter e Leandro sobre shows, música e o futuro da banda.


Como a Mahmed começou?

Leandro: Começou entre 2012 e 2013. Sou amigo de Dimetrius há muitos anos e sempre tivemos o interesse de fazer algum projeto, mas nada saía do papel, a não ser alguns riffs soltos que um mostrava pro outro. Em 2012 eu descobri o soundcloud de Walter, ele faz/ia tudo em um esquema caseiro, usando fruit loops, guitarra e samplers, foi aí que eu me dei conta que achei o cara certo. Eu já o conhecia de outros carnavais, quando tocávamos em bandas de grindcore da cidade, e por isso eu nem imaginava que ele tivesse um trampo nessa vibe. Lembro que marcamos um primeiro encontro na casa de Dimetrius, mas eu acabei não conseguindo ir por conta do trabalho. Acabou que Walter foi mesmo assim, e os dois se apresentaram um ao outro tocando violão por algumas horas. Rolou uma afinidade boa e não só musical, então seguimos compondo, mesmo sem baterista, por alguns meses. Foi quando Dimetrius conheceu Ian e o convidou para gravar a bateria de algumas faixas pra gente. Ele acabou gostando e desde então estamos juntos.

Qual foi o melhor show da banda até agora?

Walter: Isso é uma pergunta extremamente difícil, porque às vezes você desce do palco achando que fez um show ruim, mas as pessoas gostam. E às vezes você desce achando que arrazou, mas na verdade o som tava ruim pras pessoas… Existem alguns parâmetros: no que diz respeito à resposta do público, na minha opinião, o Festival Dosol 2015 foi o melhor pois jogávamos em casa, eram nossos amigos lá embaixo, o público abraçou o show, estava lotado e foi uma grande festa. Mas nem de perto foi o melhor som. E é isso que importa né? Portanto, o melhor show, pra mim (e acredito que pra todos), foi o Sesc Pompéia em 2016, voltando da tour na Espanha. A banda estava afiada, tínhamos uma equipe cuidando do palco, um cara incrível pilotando o som (beijo, Berna), duas participações especiais que acrescentaram demais ao som (Tiago Klein e Chankas), tocamos música que nunca tínhamos tocado e que nunca mais voltamos a tocar, tinha um ótimo público, amigos queridos, enfim, que noite! Mas eu gosto de shows intimistas, então nesse caso, o melhor show desse tipo foi o da vegveg, em Curitiba, promovido com todo carinho pelo João e pela Carol, som bem honesto, só os amps e a bateria (o que dá um climinha mais orgânico e gostosinho), público muito próximo, caloroso, foi uma grande celebração, e fizemos muitos amigos nesse dia. Acho que posso estar esquecendo algum, mas essa resposta já ficou grande demais hahahaha.

Leandro: Teve um show que fizemos numa Ocupação da Reitoria da UFRN que foi muito doido, com a galera meio que ‘cantando’ as músicas, e nesse dia também tocou o Rakta, foi muito foda. Outro show que me marcou foi o que abrimos pro Badbadnotgood, no Cine jóia, a casa tava cheia para ver os gringos, foi uma responsa da porra.

Embarcando nesse assunto, acredito que todo mundo tenha um show preferido da vida. Qual o de vocês?

Walter: Ty Segall no Primavera Sound.

Leandro: Esse show foi foda mesmo!

Vocês tocaram no Primavera Sound em 2016. Como foi a experiência?

Leandro: Foi incrível por ser nossa primeira gig fora do país, e logo em um dos maiores festivais do planeta. O line-up daquele ano tava foda, foi um privilégio poder estar ali. Sem falar na experiência antropológica de conhecer a Cataluña e sua história.

Qual a música preferidas de vocês? Aquela que você pode ouvir a qualquer momento que nunca enjoa.

Walter: Eu ficaria entre Unmade Bed, do Sonic Youth; The Sides, do Ataxia; e Where’s my Mind, Pixies. Desculpa, sou indeciso (rs)

Leandro: Happiness, do Elliot Smith.

O que vocês estão ouvindo bastante atualmente?

Walter: Helvetia, Yo La Tengo, Pavement, Fugazi, Eiafuawn, Bulldog Eyes.

Leandro: DIIV, Whitney, Walter Nazário, Arthur Ricardo.

Se vocês fossem escolher uma banda pra abrir um show, qual banda vocês escolheriam?

Walter: Gostaria muito de abrir um show pro Hurtmold.

Leandro: Fiquei pensando se pudesse ser uma banda que não existe mais, seria o Fugazi.

O que vocês diriam pros jovens que estão começando na música agora?

Walter: Eu considero que sou um desses, então o que vou dizer serve pra mim também: é preciso ser amador e profissional ao mesmo tempo! O nível de exigência é grande, e o retorno muitas vezes não existe. Mas não se culpe, não se puna, e não faça um big deal das coisas: escute seu coração, faça a música que te contempla, coloque todo o sentimento que você tem, e tenha sorte – vai dar certo!

Quais os próximos passos da banda?

Leandro: No momento estamos compondo e gravando nosso próximo disco, queremos lançar no começo de 2018.


Enquanto o segundo álbum não sai, ouça “Sobre a vida em comunidade”, primeiro álbum da banda aqui embaixo. E, claro, veja um show desses caras. Sério. Seríssimo.