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Resenha de transporte público: o prazer de ser jovem ouvindo blink-182

Eu poderia escrever exatamente sobre o mesmo álbum há 10 anos, só que, ao invés de estar pegando a van pra ir pro colégio, eu estou a caminho do meu trabalho e escrevendo aos 25. Pois é, minha primeira resenha de transporte público vai ser sobre um álbum que eu cansei de ouvir, de uma banda que atravessou quase toda minha linha do tempo: blink-182. O álbum escolhido é o homônimo da banda, blink-182, lançado em 2003, com hits cujos clipes eu assistia na reprise do Disk MTV na hora do almoço antes de partir pra escola. Um dos primeiríssimos que comecei a ouvir de cabo a rabo repetidamente, na época em que eu comecei a me interessar com afinco por música. Na hora que começou a estralar “Feeling This” no fone, foi um misto de sentimentos, porque havia muito tempo que não parava pra ouvi-la, um tipo de teletransporte para alguns momentos que eu não lembrava há anos. Logo depois veio “Obvious”, uma música que nunca prestei muita atenção antes e, na hora, já …

O novo trabalho da El Toro Fuerte transforma memórias em narrativas de coragem e carinho

Foto: Raquel Domingues Carinho, memória e coragem dão o tom do segundo disco dos mineiros da El Toro Fuerte, Nossos Amigos e os Lugares que Visitamos. O sucessor de Um Tempo Lindo Pra Estar Vivo já dá uma ideia do que se pode sentir a cada audição só pelo nome. A banda formada por Diego Soares (vocal, baixo e guitarra), Gabriel Martins (bateria), João Carvalho (vocal, baixo e guitarra) e, mais recentemente, Fábio de Carvalho (vocal e guitarra) construiu uma narrativa honesta e sensível, feita com o suporte de uma grande rede de amigos. Existe um toque de otimismo que permeia o som da “El Toro” e é combustível para manter as engrenagens do grupo funcionando. Afeto é ato de bravura e está presente em todas as camadas de NALV, como também é chamado. Nas letras ou melodias mais redondas, mas principalmente nos detalhes e sutilezas que nos movem, levantam e renovam as esperanças. É delicioso poder se relacionar com as palavras e sons desenhados no trabalho. Passam por inquietações muito próprias do momento em …

Gabriela Garrido convida a descobrir seus mundos no EP “Entre”

Em um trabalho muito mais encorpado e menos apressado, Gabriela Garrido aponta as delícias e confusões de uma menina de vinte e poucos anos tentando entender o que é a vida. Entre demonstra um cuidado do início até o fim – a palavra pode ser preposição, sobre estar no meio de duas ou mais coisas, ou flexão do verbo entrar, como um convite. Cada uma das cinco faixas te convida para conhecer um pouco das questões e dos universos de Gabriela, a do palco e a de fora dele. O disco vai ser lançado no dia 5 de Maio, no Rio de Janeiro, e mostra novas nuances da artista depois de Mergulho, seu primeiro trabalho. Ouvir entre uma brisa de ar fresco no fim de tarde, pensando em saudade e no que está por vir. E foi nesse clima que eu conversei com a Gabriela – bebendo uma cerveja no Centro do Rio, debaixo de uma luz linda que tá nas fotos da Luisa Queiroz aqui embaixo. Entre pode ser preposição e flexão do verbo …

O ÀTTØØXXÁ está ressignificando os sons e sinais das ruas de Salvador

Foto por Luisa Queiroz Todo mundo sabe que a Bahia é vanguarda na música brasileira. O que pouca gente imaginava era que a música do carnaval de 2018 sairia de um quarto. Cama, berço, alguns equipamentos e quatro criativos – Rafa Dias, Osmar ‘Oz’, Raoni Knalha e Wallace ‘Chiba’ – cheios de vontade de botar seus discursos próprios no mundo. É dentro desse contexto que ÀTTØØXXÁ se cria e constrói. A noção de casa – física ou não – é ponto focal na produção do grupo. O som faz referência ao que está e esteve presente no diário de cada um, sempre somando à experimentação. Salvador também é Norte para a produção sonora e visual dos quatro, trazendo à tona muito mais que a noção limitada de “sol, suor e axé”. De acordo com Rafa, cada pedaço da cidade carrega uma entidade e, pra mim, essa geografia está presente em todo o trabalho construído até agora por eles. Criado como projeto solo de Rafa Dias, ÀTTØØXXÁ conta hoje com dois discos gravados: É F*DA P*RRA …

As mulheres na Vekanandra de Luísa e os Alquimistas

Foto por Luana Tayze Lançado em parceria entre os selos PWR Records e Rizomarte, Vekanandra é o segundo registro gravado em estúdio pela potiguar Luísa e os Alquimistas. O sucessor de Cobra Coral conta com a produção de Walter Nazário (Mahmed) e marca grande amadurecimento do projeto liderado por Luísa Guedes, acompanhada dos músicos Zé Caxangá, Gabriel Souto e Pedras. O álbum funciona como um todo ao longo de suas sete faixas apresentando o início, meio e fim da história dessa personagem que dá nome ao disco. O título curioso vem do clássico meme Lohany Vekanandre Sthephany Smith Bueno de HAHAHA de Raio Laser Bala de Icekiss, e também trata de uma espécie de alter-ego da artista. Ela conta que sempre brincava com o vídeo e recebeu de alguns amigos o apelido Veka. Flertando com a palavra falada e tendo forte influência de ritmos como tecnobrega, ragga, hip hop e otras cositas más, o trabalho é resultado de uma pesquisa que vai muito além da música. A história de Vekanandra atravessa a vivência de mulheres …

Ano novo, Talude nova

Já diziam algumas (várias) línguas “ano novo, vida nova” e, aqui no Autonomia, nós levamos isso muito a sério. Nós e os meninos da Talude. Iniciamos 2018 com um lançamento da banda natalense composta por Victor Romero, Jônatas Barbalho, Felipe Beniz e João Victor Moura: uma nova versão da música “Rvptvra“ (originalmente “Ruptura“), presente no EP Fragmento, lançado no início do ano passado. “É meio estranho falar de um formato eletrônico para a Talude, até porque algumas músicas que tocamos com banda nasceram de coisas que surgiram com sintetizadores e beats”, diz Victor. “Nós flertávamos com a ideia de criar um formato que possibilitasse levar nosso som ao vivo para outros ambientes que, muitas vezes, não comportavam uma apresentação com banda completa”. 2017 foi um ano para a Talude se reinventar e iniciar 2018 de uma forma diferente. “É quase como se estivéssemos pegando nossas músicas e traduzindo elas para outro idioma”, finaliza Vik. A session eletrônica de “Rvptvra” você pode conferir abaixo com exclusividade.  

A Ventilador de Teto é uma barbaridade

A banda Ventilador de Teto é nova no pedaço, literalmente, porque a gurizada é jovem. Composta por quatro meninos da Baixada Fluminense e com um EP tudo de show, o Desejo/Sufoco, eles entraram no cenário independente com críticas positivas sobre seu som e uma parte disso se deve à incrível Bárbara Martins, a mulher por trás de tudo o que eles fazem e a “opinadora” oficial da VDT. E é sobre a banda, influências e Bárbara que eu e Isabelle Vímara conversamos com a ‘Ventilador’ lá em Duque de Caxias. Vamos lá… Pergunta básica: quais as influências da banda? VDT: Inicialmente, a gente fez um top 5 e tinha Velvet Underground, Bob Dylan, The Strokes, The Smiths e The Beatles. O quão importante pra vocês é a questão da autenticidade? Porque dentro da cena existem muitas críticas sobre as bandas serem genéricas, não de uma forma negativa, claro. Mas qual o diferencial de vocês em relação a isso? VDT: A gente copia tudo. Nada é original, é só você saber disfarçar, deixar as coisas entrelinhas. Acho …

‘Letrux Em Noite de Climão’ e as múltiplas faces de Letícia Novaes

Foto por Marina Novelli Letrux Em Noite de Climão é o primeiro disco de Letícia Novaes pós-término do projeto Letuce, que ficou em atividade de 2007 a 2016, reuniu uma legião de fãs e foi marcado por uma despedida calorosa no fim do ano passado em Paquetá, no Rio de Janeiro. O novo trabalho é resultado de uma campanha de financiamento coletivo e mostra outra face da cantora/compositora/atriz/escritora. Um retrato mais noturno, que se entrega pra vida e suas múltiplas possibilidades como numa pista de dança (literalmente). Referências dos anos 80 ao longo das onze faixas, o disco ainda conta com uma participação de Marina Lima em “Puro Disfarce”. O Climão vem sendo muito bem recebido pelo público e contou com casa cheia em todas as apresentações feitas até agora, passando por Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Talvez eu seja suspeita pra falar, porque esse deve ser um dos meus discos favoritos de 2017 – pelo menos até agora. Letícia é uma mulher muito potente e não te deixa nem um pouquinho desconfortável. …

Jundiaí afora, ‘Regina’ mostra que niLL não é outro rapper genérico

Um ano após a atmosfera nostálgica que envolve o Negraxa, niLL, o mestre de cerimônias radicado em Jundiaí lançou seu primeiro álbum solo intitulado Regina via o selo Sound Food Gang. O álbum é uma ode a própria existência: nomeado em homenagem póstuma a sua mãe, a capa desenhada pela sobrinha, as faixas estruturadas em cima de recortes de áudios do whatsapp. Multifuncional, niLL também atuou na produção do álbum e as noites em claro no programa FL Studio sustentam a atmosfera intimista. A sonoridade é plural, flerta com jazz fusion, vaporwave e trap, atraindo ouvintes de nichos além da cena que o apadroa. As letras contemplam com uma riqueza agridoce temas como perda, ambição e desilusão. Muito embora a quantidade de recortes beire a um risco, a execução com brilhantismo inegável costura a gama de influências de um indivíduo com bagagem cultural. Regina possui uma integridade artística que supera os trabalhos anteriores, muito além do diamante bruto do Sem Modos e da veia hedonista que limita os artistas a cor da erva que fumam. …

Como gorduratrans saiu do subúrbio pra conquistar o país

Foto por: Lucas Santos No dia 27/09/2015 era lançado o repertório infindável de dolorosas piadas, debut da banda carioca gorduratrans, formada por Felipe Aguiar (guitarra e voz) e Luiz Felipe Marinho (bateria e voz). A ideia do gorduratrans surgiu no início de 2015, logo após Felipe e Luiz saírem de sua antiga banda. Os dois, que se conheceram no final de 2012 através de um grupo no Facebook, criaram um laço de amizade tão forte que decidiram manter a banda só entre eles. Uma amizade que ultrapassou o limite do duo assim que o repertório começou a tomar forma. E que uniu pessoas de diferentes cantos do país, conquistadas pelas músicas e pelos próprios meninos, que acabaram formando um círculo de amizade. E foi para falar dessas relações formadas, da música na vida dos dois e do repertório infindável de dolorosas piadas que eu conversei com o gorduratrans. Qual sua relação com o Felipe? Luiz: Minha relação com o Felipe é muito tranquila, sempre foi. Temos muitos gostos e opiniões parecidas, nos mais variados contextos, então …