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A Chico de Barro tem muito a nos dizer sobre suas influências da música

Chico de Barro

Definitivamente, uma das surpresas do cenário independente do último ano foi o trio carioca Chico de Barro, que despontou há um ano com o single “Nogueira”, e lançou o primeiro EP de mesmo nome em Janeiro, pelo selo também carioca Efusiva. A mistura de MPB e post-rock traz aquele toque lo-fi aos nossos ouvidos, culminando numa verdadeira salada de influências.

A banda começou Nathanne Rodrigues (guitarra, baixo, vocal), Luiz Monclar (teclado) e Pedro Millecco (bateria), e hoje conta com Pedro Martins (baixo) no lugar de Luiz. Não deixam de ser uma tríade harmoniosa que tem feito um trabalho honesto desde 2011. O EP Nogueira, gravado de forma totalmente caseira, traz um punhado de composições sinceras de Nathanne.

O Autonomia conversou com eles sobre o que os influenciou na música, lembranças da infância e o futuro do trio.



Vocês foram crianças musicais? Quais álbuns foram mais marcantes na infância de vocês?

Nathanne Rodrigues: Eu andava sempre com um violãozinho de brinquedo pra cima e pra baixo… até que um dia, minha avó apareceu com um cavaquinho de presente. Eu fingia que era um violão e ficava inventando as notas das músicas que eu queria tocar (risos). A minha infância foi muito marcada pela bossa nova, por causa do meu avô. Ouvíamos muito os álbuns do Tom, Vinicius e Elis nas viagens que fazíamos para Friburgo (região serrana do Rio). Dentre eles: Passarim, Elis & Tom.

Pedro Millecco: Música esteve presente desde sempre pra mim. É o amor da vida, sem demagogia. Meu pai, enquanto vivo, foi cantor, compositor, arranjador, violonista, musicoterapeuta, professor de música, além de psicólogo (ufa!), então a casa nunca estava “em silêncio”. São raras as memórias da infância sem música extremamente presente. Estive sempre mergulhado nisso. Perdi a conta de quantas vezes ganhei um instrumento no aniversário. Minha mãe também sempre incentivou (e muito, até hoje) que tocasse algum.
Quanto aos álbuns, lembro de escutar muito o primeiro do Clube da Esquina, também do Secos e Molhados, o Tropicália, além de praticamente toda a obra de Milton Nascimento, Elis Regina, Tom Jobim, Gil, Caetano, Tom Zé, Rita Lee… Resumindo, posso dizer que minha infância teve como trilha muito do melhor da música brasileira do século XX.

Pedro Martins: Eu fui demais! Com uns 7 anos eu tinha um walkman e uma única fitinha (que eu escutava sem parar!) com um monte de clássicos antigos como Elton John, Carpenters, The Marmalade. Sem contar que eu jogava muito videogame, e sempre reparava/curtia as músicas dos jogos. Posso dizer que isso teve um papel bem importante no meu interesse por música. Agora, um álbum específico eu não tenho, pois escutava muitas coletâneas durante a minha infância por causa da minha mãe. Ela sempre comprava cds desse estilo, e eu acabava escutando de tabela.

Houve algum artista ou banda que influenciou vocês de alguma forma além da música?

Nathanne Rodrigues: Adriana Calcanhotto. Não sei explicar como, mas depois que eu conheci afundo o trabalho dela, muita coisa fez mais sentido na minha vida.

Pedro Millecco: O espírito apaixonado, espontâneo, vibrante, pulsante de energia, carinho e respeito pelo próximo da turma do Clube da Esquina é algo que influencia, sem dúvida. A sensação de se estar fazendo aquilo que mais ama na vida rodeado dos melhores amigos que se pode ter é simplesmente incomparável.

Pedro Martins: Sem ser musicalmente, eu posso dizer que o Placebo me influenciou bastante. As músicas deles me davam bastante força em alguns momentos, como se fosse um ombro amigo musical ali, te dando o apoio que você precisa.

E o que motivou vocês a fazerem música? Alguma experiência pessoal em particular teve influência nisso?

Nathanne Rodrigues: Além de toda essa influência dos meus avós, eu fui sentindo uma necessidade de expor meus sentimentos de alguma forma. E como não sabia desenhar que nem minha irmã, eu aprendi a tocar violão. Sempre gostei muito de escrever também, então foi bem natural o processo de unir os dois, por mais que tenha sido doloroso no início por causa da timidez.

Pedro Millecco: A simples presença de meu pai na minha vida influenciou muito diretamente. Além de todo o convívio em casa, de ouvir ele tocar músicas dele e de outrxs todo dia, também tive aula com ele na escola por um bom tempo. Foi praticamente inevitável, mas isso está longe de ser problema (muito pelo contrário, inclusive).

Pedro Martins: Eu comecei no violão com uns 13 anos, motivado pela vontade de aprender mesmo, de fazer música, tirar som do instrumento. E na época, eu não tinha internet em casa. Era difícil ter, pois era preciso de uma situação bacana pra poder bancar uma internet e um computador, o jeito era caçar aquelas clássicas revistinhas de cifras que vendiam em banca de jornal. Então fui crescendo tocando meio que tudo que tinha disponível nessas revistas: desde Red Hot a Kid Abelha. E quando começa a ver resultado, ver o som saindo legal… aí você não quer parar mais. Apesar de ter sofrido por conta das pestanas, essa foi uma época muito boa.

Se pudessem escolher o disco das suas vidas, qual seria?

Nathanne Rodrigues: Da Adriana Calcanhotto: Marítimo e Cantada; e o clássico Elis & Tom.

Pedro Millecco: Sem dúvida nenhuma, o primeiro Clube da Esquina. É fenomenal. Psicodélico, pesado, clássico, cru, rico, carregado de sentimentos, honestidade. Fico impressionado toda vez que escuto. Um trabalho único, incomparável.

Pedro Martins: Paranoid, do Black Sabbath. Esse disco mudou minha vida! Se não fosse pelo Black Sabbath, eu nem tocaria baixo.

Qual o maior devaneio de vocês?

Tocar em festivais que amamos e admiramos, grandes ou pequenos. Ver a galera batendo cabeça com nosso som. Tocar sabendo que estamos mexendo com o coração das pessoas, trocando energia, calor com elas. Isso é o sustento de cada musicista.

Além da banda, o que mais vocês fazem? Pretendem seguir alguma carreira sem ser na música?

Nathanne Rodrigues: Eu sou operadora de câmera, e também faço gigs em outros projetos. Dificilmente largaria da música.

Pedro Millecco: Além de fazer gigs em outros projetos, trabalho também em um estúdio na Zona Norte do Rio, e tenho algumas formações na área de áudio. E se nada der certo (haha), vou continuar trabalhando com música, só que de um outro ponto de vista. Mas a ideia é fazer da Chico de Barro o único trabalho, pois botamos muita fé no que estamos construindo, trilhando e correndo atrás. Temos certeza que é só persistir bastante.

Pedro Martins: Eu sou bartender e tenho planos de tentar entrar no ramo da dublagem, pois a coquetelaria conflita muito com os horários da banda.

Com qual artista ou banda a Chico de Barro tem vontade de colaborar (tanto do independente quanto do mainstream)?

Do “independente”: Ventre, Boogarins, Mahmundi, Miêta, My Magical Glowing Lens, El Toro Fuerte, Vitor Brauer, Jonathan Tadeu, Fernando Motta e Kid Foguete. Do “mainstream”: Adriana Calcanhotto, Milton Nascimento e Tame Impala.

Como seria a banda dos sonhos de vocês?

Uma big band com todos os amigos que a gente tem feito nessa tour.


Você pode acompanhar a Chico de Barro através do Facebook da banda. Aproveita e dá o play no EP Nogueira.