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A Cosmoplano Records não quer dominar o mundo, mas já tá fazendo muito por ele

Talvez eu seja meio suspeita pra falar, mas durante uma das minhas últimas viagens ao Rio de Janeiro eu estava conversando com um amigo e ele me contou sobre a proposta da Cosmoplano Records e o quanto era encantado com isso. Disse que o intuito do selo era levar música para a Baixada Fluminense, coisa que não acontecia frequentemente, visto que a concentração de eventos de música independente no Rio é basicamente Centro e Zona Sul. Aí tal encanto passou para mim a ponto de, entre tantos selos incríveis por aí, ter a responsa de falar sobre ele. Conversei com a Deb e ela me contou um pouco mais sobre o selo.

A Cosmoplano foi fundada em 2016 pela Deb e pela Duda e funciona lá na Baixada Fluminense, mais especificamente em Mesquita, município da Baixada. Segundo a Deb, mesmo tendo as duas como responsáveis, o selo sempre conta com a ajuda de alguns amigos, os quais sempre estão dispostos a fazer a coisa andar na mesma proporção que as meninas. “Tenho um home studio bem improvisado na baixada onde ensaiei e gravei as prés da Def e o primeiro ep da Tom Gangue. Ano passado, a Lixo Records me chamou pra fazer o primeiro show com a Def na praça de Nova Iguaçu e pediu ajuda pra montar com os equipamentos do estúdio. Rolou bem e acabei fazendo isso com eles nos outros Garbage Tracks e no festival da Bichano Records na mesma praça”, conta Deb. “Ali eu percebi que se podia armar isso com mais autonomia um dia, mas apenas se concretizou após o Diego da El Toro Fuerte me pedir uma ajuda pra eles marcarem um role aqui. Fiz a ponte pra rolar no Swing Cobra (atual Polo Norte, casa de shows e estúdio da Zona Norte do Rio) e disse que armaria um role na Baixada no dia seguinte. Aí conversei com a galera e pensamos: por que a gente não lança um selo nesse evento?”. E deu muito certo.

O primeiro EP que a Cosmoplano lançou foi o da Vladvostock (SP) e, posteriormente, um single da Talude. De acordo com a Deb, no momento estão em produção os álbuns da Merlin e Def, assim como uma coletânea com a Tom Gangue, Gorduratrans, Merlin e vários outros artistas da Baixada. Os planos do selo para ainda esse ano também contam com o lançamento da banda Morena Morena.

Como eu disse lá no começo do texto, a proposta do selo é levar os artistas independentes que estão de passagem no Rio para shows na Baixada. Segundo a Deb, rola uma parceria com o pessoal que traz os shows para a capital carioca. Alguns artistas que tocam no Rio de Janeiro também tocam na Baixada e vice-versa. E nessa parceria, a Cosmoplano já levou nomes como Vitor Brauer, El Toro Fuerte, Sara Não Tem Nome e vários outros artistas para tocar em Mesquita. “A ideia é criar uma ponte com artistas que talvez as pessoas da baixada não tivessem acesso a ver um show por aqui”, diz Deb. “É sempre muito difícil ir até o Rio para assistir um show, mesmo que independente, a volta (se seu ônibus ainda estiver passando) é sempre perigosa, ainda mais se você é mina. Você basicamente fica impedido de ser participante do meio”, finaliza.

Deu pra entender porque eu fiquei tão apaixonada pela Cosmoplano? Não tem que existir limites dentro da música, ela tem que ser levada a todos os lugares e nisso acho que todo mundo concorda. “Somos um selo pequeno que não pretende dominar o mundo, só queremos criar essa comunicação trazendo bandas pra baixada e fazendo com que as pessoas se desloquem do Rio para ver shows das bandas locais aqui também”, explica Deb. E tem todo meu apoio.

Você pode acompanhar os lançamentos da Cosmoplano clicando aqui.