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12 lançamentos imperdíveis do primeiro semestre de 2017

O primeiro semestre do ano foi cheio de lançamentos incríveis dentro do cenário independente e, pensando nisso, a equipe do Autonomia fez uma difícil seleção dos 12 melhores álbuns e EPs pra vocês ouvirem.


Mariana Ribeiro
@maribeiro_

Kiko Dinucci – Cortes Curtos

Lançado em 7 de fevereiro, o Cortes Curtos me fisgou na primeira ouvida. O álbum, composto por 15 faixas (15 pedradas pra ser mais exata), é propício para ouvir em volume alto e sem pausa. É um álbum que reflete São Paulo de diferentes maneiras dentro de cada letra.

Cortes Curtos é um álbum que cresce cheio de barulho e histórias e, até agora, o meu preferido do ano.

Foco na maravilhosa “Chorei” e “Vazio da Morte”.

gorduratrans – paroxismos

“Paroxismo” é uma palavra dentro da medicina que descreve o momento de intensidade máxima de uma dor e, bem, é resumidamente o que o segundo álbum do gorduratrans transmite. É um álbum sobre dores, mas não de uma forma superficial, porque você consegue senti-las através das letras de Felipe Aguiar (voz e guitarra) e Luiz Felipe Marinho (voz e bateria). E eu falo sério.

Lançado em 22 de Junho, o paroxismos é a prova viva de que esse tabu que o segundo álbum decai se equiparado ao primeiro é puro achismo.

Foco no single “7 segundos” e “Linha tênue”.

Talude – Fragmento

Lançado em 18 de Abril, o Fragmento da banda natalense Talude vem com riffs pesados e é marcado com frases intensas em suas músicas. Um EP que você ouve e consegue sentir o impacto direto com a opening track instrumental “Abraço”. Foi o que aconteceu comigo, inclusive.

Sabe músicas que conseguem te prender do início ao fim? É isso o que esse EP consegue fazer. Vale muito a ouvida. Várias ouvidas.

Foco em “Espelho” e “Ruptura”, single lançado ano passado.

Krishna Montezuma
@hoieu

My Magical Glowing Lens – Cosmos

Cosmos é um álbum que cresce e expande, como um peito que respira. Com letras viscerais e algumas distorções no caminho, é o primeiro álbum da banda, lançado pela Honey Bomb Records, Subtrópico e PWR Records. Uma viagem com um caminho delicioso a ser feito.

Destaque para “Não há um você no seu interior” e “Portal”.

Boogarins – Lá Vem a Morte

O álbum se destaca completamente dos trabalhos anteriores do Boogarins. As faixas sintetizam um pessimismo profundo e pesam bastante sobre os ouvidos, em contraponto com as batidas leves. Não levo muito a sério essa coisa entre o bom e o ruim, o melhor e o pior, mas Lá Vem a Morte é, arriscando a melhor palavra, excêntrico.

Destaque para “Lá Vem a Morte pt. 3”, que tem uma letra absurda.

Sentidor – Am_Par_Sis

Eu sou suspeita demais para falar desse álbum. Conheço o João (Sentidor) há bastante tempo e me encontro bastante nesse trabalho (literalmente me encontro, já que as fotos da capa são minhas, risos), que fala muito sobre a relação entre o Rio de Janeiro, Tom Jobim e Sentidor. As faixas vêm como ondas, as mesmas das praias que visito com frequência nessa cidade. Carrega um sentimento de saudosismo de um lugar que, talvez, os ouvintes nunca tenham pisado.

Destaque para “O Pássaro Canta Parecido Com A Música Que Fizemos”.

Beatriz Brito
@btrzbrt

Chico de Barro – Nogueira

Eu fiquei apaixonada pela sonoridade e pelas letras sinceras do EP de estreia do trio carioca, lançado em Janeiro. As cinco faixas de Nogueira são um mergulho na realidade retratada pela Nathanne Rodrigues, vocalista e multi-instrumentista à frente da banda. Essa mistura de influências da MPB e post-rock culminou num som bem original.

Destaque para a faixa-título “Nogueira” e “Transbordar”, que ganhou um vídeo incrível em Junho.

Black Cold Bottles – Percept

Primeiro álbum de estúdio da BCB que saiu em Março, Percept é um amontoado de experiências que a banda agregou no tempo em que esteve em hiato, após o lançamento do primeiro EP, Neander. A voz poderosa do vocalista Bruno Carnovale faz um belo contraponto à voz de Larissa Lobo, nessa mistura de post-punk, garage rock e noise.

Destaque para a tocante “Libra” e o single de refrão chiclete, “Something Different”.

Phillip Long – Frágeis Como Flores

Eu e a (extensa) discografia do Phillip temos uma história. Sempre me identifiquei com a maneira que o músico discorre sobre os temas dos seus discos – relacionamentos, a busca por identidade e pertencimento, e Frágeis Como Flores, de Março, é um registro disso tudo que Phillip agregou do primeiro álbum até agora.

Vale destacar o single “Hoje Tive Um Pesadelo”, que remete muito ao som do R.E.M. lá no início da década de 90.

Liz Oliveira
@yoliztengo

Domenico Lancellotti – Serra dos Órgãos

Segundo álbum do músico fluminense, sucessor do Cine Privê, lançado pelo selo carioca LAB 344. O álbum tem o mesmo formato na composição que o antecessor, samba com uso de beats eletrônicos e arranjos no metal. Conta com várias participações, a principal da cantora Nina Miranda que aparece em duas das quatorze músicas do álbum.

Destaque para a música que abre o álbum “Volta-se”, que já tem clipe no YouTube de concepção do próprio Domenico, e “Insatiable”.

Curumin – Boca

Boca é o quarto álbum solo do músico paulistano Curumin, e também palavra que aparece em várias das músicas que compõem o disco. Conta com inúmeras colaborações, cada uma delas deixa um pouco de si na música que participam, assim como na arte do disco feita pela artista e também cantora Ava Rocha.

Destaque para as músicas “Boca de Groselha”, cujo clipe foi dirigido pela Ava Rocha, e “Tramela”, com participação do cantor Rico Dalasam.

Juçara Marçal, Rodrigo Campos e Gui Amabis – Sambas do Absurdo

Sambas do Absurdo é a junção de três grandes nomes da música brasileira atual e teve inspiração no ensaio filosófico “Mito de Sísifo” do absurdista Albert Camus, que é, particularmente, um de meus filósofos favoritos. O disco conta com oito absurdos que são cada um deles uma desconstrução do samba em si, assim como no ensaio de Camus, que já lidava com a desconstrução das leis absolutas da modernidade da época.

Destaque para a música “Absurdo 8” que abre o álbum e para “Absurdo 5”.