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Resenha de transporte público: o prazer de ser jovem ouvindo blink-182

Eu poderia escrever exatamente sobre o mesmo álbum há 10 anos, só que, ao invés de estar pegando a van pra ir pro colégio, eu estou a caminho do meu trabalho e escrevendo aos 25. Pois é, minha primeira resenha de transporte público vai ser sobre um álbum que eu cansei de ouvir, de uma banda que atravessou quase toda minha linha do tempo: blink-182.

O álbum escolhido é o homônimo da banda, blink-182, lançado em 2003, com hits cujos clipes eu assistia na reprise do Disk MTV na hora do almoço antes de partir pra escola. Um dos primeiríssimos que comecei a ouvir de cabo a rabo repetidamente, na época em que eu comecei a me interessar com afinco por música.

Na hora que começou a estralar “Feeling This” no fone, foi um misto de sentimentos, porque havia muito tempo que não parava pra ouvi-la, um tipo de teletransporte para alguns momentos que eu não lembrava há anos. Logo depois veio “Obvious”, uma música que nunca prestei muita atenção antes e, na hora, já tive uma visão de que iria ser a música grude e viciante da vez. Fiquei fazendo air drums dentro do ônibus, bem mongoloide mesmo.

Bom, chegou a hora de “I Miss You” e puta que pariu, bateu no peão demais. Essa música deve ser, sei lá, a música que eu mais cantei no karaokê até hoje. Clássica, dolorida e atemporal, baqueia o ser humano de uma maneira que faz o corpo travar. E eu travei. Fiquei igual ao meme do Cumpadi Washington na janela do ônibus muito downers. Na hora de “Violence”, eu ainda estava meio presa em “I Miss You”, mas na hora do refrão, voltei ao normal e rolou outro air drums.

Em “Stockholm Syndrome”, começou a apertar a chuva lá fora e eu pensei mais “Como é que eu vou descer de boa nessa chuva do inferno?” do que prestei atenção na música, perdão. Mas aí veio “Down” e, cara, ela é minha música preferida do blink-182 e é quase impossível ouvi-la e não lembrar do meu ensino médio, quando eu namorava outro blinkeiro, durante o auge do Twitter, onde eu conheci outros blinkeiros que são meus amigos até hoje.

Em “Go”, eu perdi o ponto no qual eu tinha que descer. Sim, na chuva. E em “Asthenia” eu estava revoltada, não consegui curtir a vibe da música também. O que foi perfeito, porque em “Always” eu estava andando na rua, na chuva e fui surpreendida, fazendo eu me sentir em alguma cena romântica idiota, pensando “nele” sem realmente existir um “ele”.

“Easy Target”, “All Of This”, “Here’s Your Letter” e “I’m Lost Without You” foram ouvidas embaixo de chuva, andando na rua, completamente distraída e pensando “Na minha primeira resenha de transporte público, eu realmente vou ter que contar que perdi o ponto que tinha que descer do ônibus por conta da mesma?”. Acho que esse texto responde minha pergunta mental. Cheguei no trabalho, sentei na cadeira, tirei o fone e voltei ao meu estado normal, mas com aquela sensação de nostalgia em background.

Acredito que podem passar mil anos, mas álbuns como blink-182 vão me causar a mesma sensação. Porque é isso o que a música faz: te transporta e te abraça, seja você ainda uma pessoa jovem ou um adulto nostálgico que nem eu.